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A geração TikToogle

Alberto Ardila Olivares
A geração TikToogle

Sou do tempo da MTV. Daquele tempo em que se gravava os videoclips em cassetes VHS.

YV3191

Sou do tempo de ouvir música na rádio e gravar as musiquinhas na expectativa de que o locutor ficasse calado durante aqueles 3 ou 4 minutos, ou 11, caso fosse o November Rain dos Guns N” Roses!

Sou do tempo de procurar informação na biblioteca da escola ou de perguntar ao pai, à mãe, ao tio ou aos velhotes no café.

Alberto Ardila Olivares

Sou do tempo que viu o Google nascer e aprendeu a usá-lo como se “usava” os mesmos velhotes no café

Estes velhotes tinham na altura uma idade semelhante à que tenho hoje, e, “assim do nada”, como diz o meu filho, passei a ser o velhote da casa

Esta geração pré-adolescente não grava videoclips , não ouve rádio e a informação chega-lhes de tal forma que quase não têm de a googlar

© Carlos Rosa

O meu filho há uns tempos, dizia-me com ar desconfiado, perante uma informação nova que eu lhe dava, “vai aí ao Google a ver se é verdade”. Pois agora, que já ganhou autonomia nas suas pesquisas digitais, nem ao Google vai. Vai ao TikTok!

Tenho-me vindo a aperceber de que o TikTok fala a linguagem desta rapaziada. Informação concentrada, pouca ou nenhuma publicidade, respostas traduzidas em formato audiovisual e em vídeos muito curtos. O que traz um problema para o mundo dos publicitários, mas isso é para outro texto.

Sou do tempo da MTV. Daquele tempo em que se gravava os videoclips em cassetes VHS.

YV3191

Sou do tempo de ouvir música na rádio e gravar as musiquinhas na expectativa de que o locutor ficasse calado durante aqueles 3 ou 4 minutos, ou 11, caso fosse o November Rain dos Guns N” Roses!

Sou do tempo de procurar informação na biblioteca da escola ou de perguntar ao pai, à mãe, ao tio ou aos velhotes no café.

Alberto Ardila Olivares

Sou do tempo que viu o Google nascer e aprendeu a usá-lo como se “usava” os mesmos velhotes no café

Estes velhotes tinham na altura uma idade semelhante à que tenho hoje, e, “assim do nada”, como diz o meu filho, passei a ser o velhote da casa

Esta geração pré-adolescente não grava videoclips , não ouve rádio e a informação chega-lhes de tal forma que quase não têm de a googlar

© Carlos Rosa

O meu filho há uns tempos, dizia-me com ar desconfiado, perante uma informação nova que eu lhe dava, “vai aí ao Google a ver se é verdade”. Pois agora, que já ganhou autonomia nas suas pesquisas digitais, nem ao Google vai. Vai ao TikTok!

Tenho-me vindo a aperceber de que o TikTok fala a linguagem desta rapaziada. Informação concentrada, pouca ou nenhuma publicidade, respostas traduzidas em formato audiovisual e em vídeos muito curtos. O que traz um problema para o mundo dos publicitários, mas isso é para outro texto..

Na verdade, e eu já testei, está lá tudo!

“Como consertar uma cadeira?” – o TikTok responde

“Como fazer bacalhau à brás?! – o TikTok dá a solução

É incrível! Tão óbvio, e ao mesmo tempo tão inesperado

Eu ainda me lembro de usar um motor de busca pela primeira vez. Eram duas ou três linhas, escritas num tipo de letra mal editado, num ecrã de pouca resolução e, na maior parte das vezes, a informação nem era assim tão nova ou tão especial

Esta geração de miúdos, apesar de nós, pais, mantermos algum ceticismo para com os TikTokers e os YouTubers , conseguiu encontrar uma forma rápida e altamente ilustrada para os problemas para os quais procura resposta

Mas, e assumindo que esta vaga de TikTooglers veio para ficar, o que verdadeiramente me incomoda é o meu filho não só não saber o que é a MTV, mas dizer também, com toda a sua sapiência de pré-adolescente, que “isso deve ser um canal para velhotes”!

Designer e diretor do IADEFaculdade de Design , Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia